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Canetas emagrecedoras impulsionam consumo de proteína e pressionam a pecuária por soluções sustentáveis

Aumento da demanda por proteína animal reforça importância de tecnologias que elevam produtividade e reduzem emissões de gases de efeito estufa, afirma especialista

O avanço do uso de medicamentos injetáveis para emagrecimento no Brasil e no mundo começa a provocar um efeito em cadeia no sistema alimentar

Isso ocorre porque as chamadas canetas emagrecedoras impactam diretamente os hábitos alimentares. Pacientes em tratamento costumam ser orientados por médicos e nutricionistas a aumentar a ingestão de proteínas para preservar a massa muscular durante o processo de perda de peso.

Só no Brasil, esse tipo de medicamento movimentou cerca de R$ 10 bilhões no ano passado, o equivalente a 4% do varejo farmacêutico nacional, segundo relatório do Itaú BBA. A mudança no padrão alimentar, por sua vez, pressiona a cadeia produtiva por mais carne, produtos de maior valor agregado e eficiência produtiva, reforçando o papel estratégico da pecuária no atendimento a essa nova demanda de consumo.

Dados recentes da Worldpanel by Numerator (Kantar) indicam que o consumo de carne bovina no Brasil cresceu 9% no primeiro trimestre de 2025, contrariando a expectativa de retração diante da alta de preços. A proteína atingiu 93% de penetração nos lares brasileiros, um avanço de 5,1 pontos percentuais em relação ao mesmo período de 2024.

O crescimento da produção pecuária traz, porém, outro desafio: o impacto ambiental. O metano (CH₄), gás de efeito estufa emitido naturalmente pelo processo digestivo dos bovinos, é um dos principais focos das discussões globais sobre mudanças climáticas. Embora tenha permanência menor na atmosfera do que o CO₂, o metano possui alto potencial de aquecimento global, o que torna sua mitigação uma prioridade imediata.

Segundo Renata Fernandes Theuer, gerente de sustentabilidade para animais de produção da Elanco Brasil, o setor precisa conciliar expansão e responsabilidade. “O crescimento da demanda por proteína é uma realidade, impulsionada por mudanças claras no comportamento do consumidor. O desafio, no lado da produção da proteína, não é produzir mais a qualquer custo, não é produzir mais a qualquer custo, mas produzir melhor, com eficiência e menor impacto ambiental”, afirma.

Uma das soluções da companhia responde diretamente a esse desafio. De acordo com Renata, o Zimprova™, aditivo alimentar para bovinos de corte projetado para melhorar o desempenho produtivo do rebanho, também é capaz de reduzir a emissão de gás metano. “Zimprova™ já contava com indicação em bula para ganho de desempenho produtivo. Há pouco mais de um ano, o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) aprovou oficialmente a inclusão da indicação de redução da emissão de gás metano na bula. Isso é motivo de muito orgulho para nós da Elanco. Estamos sempre em busca de soluções que beneficiem os produtores e ao mesmo tempo sejam sustentáveis para o planeta. Zimprova™ oferece esses dois benefícios”, avalia. O produto é o primeiro de uso exclusivo em bovinos de corte no país a ter estas duas indicações formalmente reconhecidas em bula, ao mesmo tempo.

Estudos conduzidos pela Elanco em parceria com a Esalq/USP comprovaram que o princípio ativo1 do Zimprova™, a narasina, é capaz de reduzir a emissão de metano de 10,6% até 34%, dependendo da dosagem utilizada. A pesquisa utilizou protocolos in vitro e in vivo que simulam o funcionamento do rúmen bovino, comparando dietas suplementadas com grupos controle.

Além do benefício ambiental2, os resultados indicaram ganhos produtivos relevantes: até 1,1 arroba a mais por animal ao ano, quando o produto é associado a pastagens de qualidade. “A narasina altera o padrão de fermentação ruminal, favorecendo microrganismos mais eficientes. O animal aproveita melhor os nutrientes, ganha mais peso e emite menos metano”, explica Murilo Chuba, gerente técnico da Elanco.

Para Renata, a discussão sobre emissões é, ao mesmo tempo, ambiental e econômica, com impacto direto na competitividade do setor. “Consumidores, investidores e mercados internacionais estão cada vez mais atentos à origem dos alimentos. Reduzir emissões consolida-se como uma vantagem competitiva real para o pecuarista brasileiro, que vive um momento de aumento da demanda pela carne bovina”, avalia. “As canetas emagrecedoras podem, sim, contribuir para uma movimentação positiva da agropecuária brasileira, que já mostra avanços em eficiência produtiva e em práticas mais sustentáveis. A produtividade e sustentabilidade não são objetivos conflitantes, mas complementares”, afirma.  

De acordo com a executiva, “num cenário em que segurança alimentar e redução de emissões caminham lado a lado, a Elanco investe em inovação para apoiar produtores rurais na transição para sistemas mais eficientes, resilientes e ambientalmente responsáveis”, conclui.

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