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Do Brasil para o mundo: o agro brasileiro que exporta talentos

Três executivas constroem trajetórias internacionais e refletem avanço gradual da liderança feminina no agro

Embora as mulheres já representem cerca de um terço das lideranças no agronegócio brasileiro e pouco menos na indústria, a presença feminina em posições técnicas e executivas globais ainda é proporcionalmente menor. É nesse cenário que três brasileiras ocupam hoje cargos globais na JTI, em países como Espanha, Alemanha e nos Estados Unidos, em áreas estratégicas ligadas à indústria e à cadeia produtiva do agro, ilustrando um avanço gradual e consistente, e colocando o agro brasileiro em destaque na formação de talentos.

Um levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que mulheres ocupam aproximadamente 29% dos cargos de liderança, enquanto em áreas técnicas, o desafio tem sido maior: segundo o Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea), cerca de 20% dos profissionais registrados em engenharia no país são mulheres. Já os dados recentes do Observatório das Mulheres Rurais indicam crescimento consistente no número de propriedades lideradas por mulheres na última década, que hoje representam cerca de 19% do total no país.

É nesse contexto que as histórias dessas três profissionais ganham relevância.

Aos 47 anos, Samara Bandones Correa atua hoje como Gerente de Compras (Categoria Global Marketing & Vendas) em Madrid. A trajetória internacional foi construída ao longo de candidaturas internas até a conquista da posição. “Acreditei no processo. Foram várias etapas até conseguir essa posição internacional e cada passo me preparou para o seguinte”, afirmou.

A mudança para a Espanha mobilizou toda a família. O marido, que trabalhava como gerente no setor de telecomunicação, optou por deixar o emprego para acompanhar a nova fase profissional da esposa. Os dois filhos e nove pets também fizeram parte da mudança. “Foi uma decisão construída em família. Sabíamos que seria uma grande transformação, mas entendemos que era uma oportunidade importante”, relatou Samara.

Em Trier, na Alemanha, Roberta Hoffmann Machado, 35 anos, atua na área de Qualidade Global em um dos hubs globais na área da companhia. Engenheira de Produção com mestrado voltado à inovação e sustentabilidade, ela construiu sua trajetória majoritariamente em ambientes técnicos. “Eu estabeleci metas muito claras para mim. Queria me tornar gerente até os 35 anos e ter uma experiência internacional antes dos 40. Consegui alcançar esses dois objetivos antes do que tinha planejado”, disse.

O marido, que também atuava na indústria de tabaco no Brasil, também deixou seu emprego para acompanhá-la na Alemanha. “Meu diferencial sempre foi dedicação e consistência. Eu me preparei para cada etapa e sempre tive o apoio da minha família – e isso fez toda a diferença. Sem apoio, não conseguimos ir para frente”, afirmou Roberta.

Essas mudanças refletem um fenômeno mais amplo: uma geração de profissionais que vê na mobilidade global uma oportunidade de expandir horizontes e acumular experiências, entendendo que decisões de carreira muitas vezes envolvem a família inteira. Em alguns casos, os parceiros apoiam essas escolhas a ponto de abrir mão dos próprios empregos para acompanhá-las, um movimento que, até poucos anos atrás, ainda era pouco comum nas trajetórias femininas.

Natural do interior do Rio Grande do Sul e filha de produtores rurais, Catieli Patrícia Kohl, 30 anos, construiu sua carreira ao longo de quase uma década até assumir, em 2025, a gerência de Qualidade Técnica em Danville, nos Estados Unidos. Foi produtora rural por um tempo, mas nutria o sonho de ingressar no meio corporativo e trabalhar no exterior. Para isso, começou no chão de fábrica e investiu nos estudos. “Minha trajetória foi construída com disciplina e constância. Sempre busquei aprender em cada função que desempenhei”, contou. “Cada etapa trouxe aprendizados importantes para assumir responsabilidades maiores.”

Além do preparo individual, políticas corporativas de mobilidade e desenvolvimento são determinantes para ampliar a presença feminina em posições globais. “Na JTI, a mobilidade internacional é resultado de uma cultura que estimula protagonismo, desenvolvimento e visibilidade, especialmente para talentos femininos. Temos visto cada vez mais mulheres brasileiras assumindo projetos e posições em outros países, fortalecendo o Brasil como um hub de talentos, globalmente. Mais do que uma movimentação de carreira, esse avanço representa confiança, preparo e ampliação da presença feminina em espaços estratégicos. Nosso compromisso é seguir criando oportunidades para que mais mulheres se sintam prontas e apoiadas para dar esse passo”, afirma Paloma Ferreira, Gerente de Experiência do Colaborador da área de Pessoas & Cultura da JTI no Brasil.

Nos últimos seis anos, a JTI registrou 44 movimentações internacionais a partir do Brasil. Nesse período, a participação feminina esteve presente em todos os anos, refletindo um avanço consistente na presença de brasileiras em posições globais.

Por que essas histórias importam no 8 de março?

O Dia Internacional da Mulher costuma reforçar debates sobre equidade. No agronegócio e na indústria, esses debates passam cada vez mais por indicadores concretos. Se as mulheres já representam cerca de um terço das lideranças no agro brasileiro e pouco menos disso na indústria, a presença em posições técnicas e executivas globais ainda é proporcionalmente menor. O avanço é real, mas o equilíbrio ainda não foi atingido.

As trajetórias de Samara, Roberta e Catieli evidenciam que essa transformação ocorre na intersecção entre preparo individual, apoio familiar e estruturas corporativas que viabilizam a mobilidade. Na JTI, uma iniciativa que foi fundamental para romper com padrões estabelecidos é a mentoria formal e até informal feita pelos atuais líderes, que ajudam a moldar o futuro a partir do desenvolvimento de talentos da empresa. O apoio a essas carreiras tem sido construído com base na capacitação e promoção de iguais oportunidades, resultando em movimentações sempre com base no mérito desses profissionais.

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