Agro brasileiro tem novo desafio a partir do acordo de livre comércio com a União Europeia
Com aprovação do acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, produtores brasileiros precisam se adequar à nova regulamentação
Os produtores brasileiros interessados no livre comércio com a União Europeia precisam estar atentos à nova regulamentação europeia – EUDR (European Union Deforestation Regulation) –, para se enquadrarem às novas exigências. Entre elas, a padronização da rastreabilidade na cadeia produtiva, que é essencial para garantir o acesso ao mercado europeu.
O EUDR vem para definir um critério rígido: nenhum produto proveniente de áreas desmatadas poderá ser comercializado na União Europeia. Para garantir essa conformidade, os produtos precisam estar acompanhados de informações precisas sobre sua origem. É como se cada lote de soja, café ou carne precisasse de uma certidão de nascimento, detalhando exatamente onde foi produzido.
Sete cadeias produtivas serão diretamente impactadas. São carne e couro, madeira, soja, café, cacau, óleo de palma e borracha. No Brasil, essas cadeias são fundamentais para a economia. Qualquer barreira de entrada em mercados internacionais pode representar perdas significativas.
A regulamentação exige que todos os produtos dessas cadeias forneçam evidências concretas de rastreabilidade para garantir a conformidade com as novas normas ambientais. O grande problema é que as cadeias produtivas não são simples.
No caso da carne bovina, um único animal pode passar por diversas fazendas ao longo de sua vida, o que torna a rastreabilidade um verdadeiro quebra-cabeça. Já a soja, muitas vezes é transportada e armazenada em grandes lotes misturados, exige um método diferente de controle.
Essa complexidade pode ser comparada a um pacote de correspondências sem rastreamento – sem um código de barras ou QR Code padrão, ninguém sabe exatamente por onde passou e quem foi o responsável por cada etapa.
Diante desse cenário, a Associação Brasileira de Automação – GS1 Brasil pretende transformar esse emaranhado de informações em um sistema padronizado, global e confiável. Os padrões globais da GS1, como o GTIN (Global Trade Item Number), GLN (Global Location Number) e EPCIS (Electronic Product Code Information Services), permitem que as informações de rastreabilidade sejam organizadas de forma estruturada e acessível.
Isso , segundo a Associação, garante que os dados de um lote de soja ou de um boi abatido possam ser lidos e interpretados corretamente em qualquer parte do mundo. Apesar das vantagens, ainda existem desafios significativos para a adoção dos padrões GS1 no Brasil. Algumas cadeias produtivas já desenvolveram sistemas próprios e podem resistir à mudança. É como pedir para alguém que já fala um dialeto próprio adotar um novo idioma.
O futuro da rastreabilidade e do agro brasileiro
Aqui, de acordo com a Associação, o setor pode enxergar a rastreabilidade não como um entrave burocrático, mas como um diferencial competitivo. A implementação de protocolos de rastreabilidade na cadeia de cacau, por exemplo, pode colocar o Brasil em uma posição de vantagem no cenário global, atualmente dominado por países como a Costa do Marfim.
Segundo a instituição, quem se adapta mais rápido às novas exigências ganha vantagem no mercado internacional. Se pensarmos na rastreabilidade como um jogo de xadrez, cada peça representa um elemento da cadeia produtiva.

