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ONU reconhece iniciativa brasileira como Referência da Restauração Mundial

A ONU reconheceu hoje a iniciativa brasileira Araticum – Restauração do Cerrado Brasileiro, como uma Iniciativa de Referência da Restauração Mundial (World Restoration Flagship), destacando o grande esforço para restaurar o Cerrado, uma das savanas tropicais mais biodiversas do mundo e um bioma que sofre intensa pressão devido à conversão e fragmentação de terras e às mudanças climáticas.
 

Anunciada durante um evento na 17ª sessão da Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COOOP17 da UNCCD), a iniciativa Araticum – Restauração do Cerrado Brasileiro foi reconhecida junto a outros dois projetos emblemáticos de restauração, localizados na Arábia Saudita e no Sahel. Com esse reconhecimento, o Brasil torna-se o único país até o momento a receber dois títulos de Iniciativas de Referência da Restauração Mundial (World Restoration Flagship).
 

Liderados pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), no âmbito da Década da ONU da Restauração de Ecossistemas, os prêmios reconhecem algumas das iniciativas de restauração de ecossistemas mais ambiciosas e impactantes do mundo.

“Os impactos das mudanças climáticas, da seca e da desertificação, bem como as tensões geopolíticas em curso, estão afetando duramente os sistemas alimentares globais”, afirmou Inger Andersen, Diretora Executiva do PNUMA. “Investir na saúde das terras é uma das nossas defesas mais fortes contra essas ameaças. As três iniciativas reconhecidas hoje mostram que a restauração de ecossistemas traz benefícios significativos para todos – desde segurança alimentar e novos empregos até maior resiliência para milhões de pessoas.”
 

Com mais de 2 milhões de quilômetros quadrados, o Cerrado perdeu mais da metade de sua vegetação nativa, em grande parte devido à conversão de terras em grande escala. Esse processo prejudica os direitos dos povos indígenas e das comunidades tradicionais, a biodiversidade, a produção de alimentos, a disponibilidade de água e a resiliência climática.

“O reconhecimento do Cerrado como Iniciativa de Referência da Restauração Mundial demonstra que o Brasil está reconstruindo uma política ambiental capaz de aliar conservação da biodiversidade, ação climática e desenvolvimento,” afirmou João Paulo Ribeiro Capobianco, Ministro do Meio Ambiente e
 

Mudança do Clima do Brasil. “A restauração da vegetação nativa é uma prioridade estratégica para o país, porque protege nossos recursos hídricos, fortalece a resiliência dos territórios, gera oportunidades para as populações locais e contribui para o cumprimento dos compromissos internacionais assumidos pelo Brasil. Esse reconhecimento amplia a visibilidade da agenda brasileira de restauração e fortalece nossa capacidade de estabelecer novas parcerias e atrair investimentos para acelerar sua implementação”.

A iniciativa reúne mais de 180 organizações, Povos Indígenas e Quilombolas, comunidades locais, agricultores, pesquisadores, organizações da sociedade civil, iniciativa privada e instituições governamentais para apoiar projetos de restauração em nove estados brasileiros. Esse trabalho é realizado por meio da regeneração natural, da semeadura direta, da restauração ecológica e de sistemas agroflorestais com espécies nativas.
 

O projeto já mapeou mais de 27 mil hectares em processo de restauração, com novas áreas sendo continuamente incorporadas por meio de sua plataforma de monitoramento. Além disso, sementes de mais de 150 espécies de plantas nativas já foram coletadas e utilizadas em atividades de restauração, contribuindo para a formação de uma cadeia produtiva da restauração que inclui coletores de sementes, viveiros, técnicos de restauração e serviços de monitoramento.

“Restaurar o Cerrado significa cuidar do nosso clima, da nossa água e do nosso futuro”, afirmou Fabrícia Santarém, coordenadora da Araticum, Articulação para a Restauração do Cerrado, e coletora de sementes Geraizeira. “A escolha do nosso bioma como uma Iniciativa de Referência da Restauração Mundial da Década da ONU da Restauração de Ecossistemas reafirma a necessidade de investir na restauração de florestas, savanas e campos nativos, bem como na autonomia e no fortalecimento das organizações comunitárias que estão na linha de frente da conservação.”

Até 2030, a iniciativa pretende alcançar 2 milhões de hectares em restauração, contribuindo para a valorização dos ecossistemas não florestais e para o compromisso nacional do Brasil de restaurar 12 milhões de hectares de vegetação nativa. Para isso, combina a restauração ecológica com ferramentas sociais e econômicas, incluindo programas de pagamento por serviços ambientais, agricultura sustentável, sistemas agroflorestais, planejamento territorial e articulação com políticas públicas.

A Araticum – Restauração do Cerrado Brasileiro é uma das 30 iniciativas de restauração reconhecidas pela ONU desde 2022. Juntas, essas iniciativas já somam quase 20 milhões de hectares em processo de restauração e abrangem compromissos para restaurar cerca de 75 milhões de hectares até 2030, ao mesmo tempo em que geram mais de 800 mil empregos e contribuem para a recuperação e o aumento das populações de espécies da biodiversidade.

“A escolha da Araticum como uma das Iniciativas de Referência da Restauração Mundial confere visibilidade internacional a um trabalho que já é valorizado nacionalmente. Para o WWF-Brasil, que ajudou a construir e apoia essa articulação desde a sua criação, em 2020, é uma oportunidade de mostrar que a restauração em larga escala pode ser impulsionada a partir das comunidades, das organizações locais e de diferentes setores da sociedade, contribuindo para acelerar o desenvolvimento socioeconômico”, destaca Taruhim Quadros, líder de Restauração no WWF-Brasil. “O Brasil precisa aproveitar esse reconhecimento para acelerar investimentos, fortalecer as redes existentes e transformar a restauração em uma política de longo prazo, posicionando o país como referência global na restauração de savanas e outros ecossistemas e demonstrando, na prática, como compromissos ambientais globais podem ser implementados em escala.”

A iniciativa também reforça a importância de integrar as diferentes agendas ambientais no âmbito internacional, especialmente em um ano marcado pela realização das COPs de Desertificação, Biodiversidade e Clima. “O anúncio na COP17 da UNCCD ajuda a construir uma ponte entre as grandes agendas ambientais que estarão no centro do debate internacional em 2026. A restauração da terra não é uma agenda isolada: ela contribui simultaneamente para recuperar a biodiversidade, aumentar a resiliência diante das mudanças climáticas e fortalecer os territórios diante da degradação e da seca. Levar a experiência da Araticum para esse debate internacional é uma forma de mostrar que essas agendas podem – e devem – caminhar juntas”, conclui Tatiana Oliveira, líder da estratégia internacional do WWF-Brasil.

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