3º Encontro da Soja: produtores rurais da região estão otimistas com safra recorde
A Diretoria de Assistência Técnica Integral (CATI), por meio de sua Regional de Itapeva, promoveu, na última sexta-feira (14), o 3.º Encontro da Cultura da Soja de Itapeva e Região. O evento, que foi realizado no auditório da Faculdade de Ciências Sociais e Agrárias de Itapeva (FAIT), abordou temas relacionados ao mercado, ao clima na safra atual e ao manejo de pragas, doenças e plantas daninhas. Participaram aproximadamente 150 pessoas, entre produtores rurais, profissionais com atuação no agro e estudantes.
A pesquisadora da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Claudine Seixas, ministrou a primeira palestra sobre Manejo Integrado de Doenças (MID) na soja. O MID consiste no uso conjunto de diferentes estratégias para prevenir e controlar patógenos, buscando reduzir perdas e o uso excessivo de fungicidas. “As principais estratégias são o uso de cultivares resistentes ou tolerantes; rotação de culturas e tratamento adequado das sementes; uso de sementes certificadas e sadias; monitoramento frequente da lavoura para detectar doenças precocemente e aplicação de fungicidas no momento correto”, aponta o engenheiro agrônomo e chefe de Divisão da CATI Regional Itapeva, Paulo Roberto Leite.
“Como principais desafios para esse tema, temos as mudanças climáticas, o surgimento de populações de fungos resistentes a fungicidas, a dificuldade de identificar doenças rapidamente e a necessidade de equilibrar eficiência de controle, custos e sustentabilidade”, destacou o agrônomo.
O Manejo Integrado de Pragas (MIP) na cultura também foi tema de exposição, em fala do agricultor Carlos Eduardo dos Santos. Ele abordou a metodologia de monitoramento de sua lavoura e as intervenções de controle com o uso de produtos químicos e biológicos. Com duas aplicações de inseticida na área demonstrativa e quatro aplicações na área de cultivo, o produtor obteve, via MIP, uma redução de 50% no custo de controle de percevejos e lagartas na sua plantação de soja.
E o que esperar do clima na safra 2026/2027? Essa pergunta foi respondida na apresentação do engenheiro agrícola da CATI, Antoniane Arantes de Oliveira Roque. De acordo com o responsável pela CATI Regional Itapeva, como estão sendo projetadas chuvas e temperaturas elevadas nesta safra, o produtor deverá estar atento às previsões antes da semeadura para não perder a melhor janela de plantio; ele também deve ter atenção especial quanto ao manejo de doenças, pois as altas umidades poderão favorecer o aparecimento de patógenos, além de conservar o solo com boa cobertura.
Mais um produtor rural teve espaço de destaque no encontro: o engenheiro agrônomo Erick Hertel de Almeida palestrou sobre Mercado da Soja – Contexto, Desafios e Tendências. “Espera-se que os preços se mantenham no mesmo patamar da safra passada, pois o Brasil pode colher uma safra recorde de 180 milhões de toneladas, aumentando a disponibilidade de exportação do grão”, comentou Leite.
O pesquisador da Embrapa Soja, Fernando Storniolo Adegas, palestrou a respeito do manejo de plantas daninhas para a cultura. Ele apresentou as principais plantas daninhas que podem prejudicar a soja, como: caruru-gigante, buva, corda-de-viola, capim-amargoso, dentre outras. “Para manejá-las, indicam-se controle cultural, controle mecânico, controle químico – com o uso de herbicidas pré e pós-emergentes, bem como a rotação e a associação de diferentes mecanismos de ação”, complementou o chefe da CATI na região que mais produz soja no estado de São Paulo. Em 2025, Itapeva contabilizou 210 mil hectares plantados da cultura e registrou a produção de 13,32 milhões de sacas de 60kg.

