Quando a luz apaga, a biossegurança para: o elo invisível entre energia e sanidade no agro
Oscilações elétricas em granjas e frigoríficos podem comprometer climatização, desinfecção e a cadeia do frio, afetando produtividade e sanidade animal
O agronegócio brasileiro responde por cerca de 29% do consumo total de energia no país, de acordo com estudo do Observatório de Bioeconomia da Fundação Getulio Vargas. O dado evidencia a forte dependência da atividade rural de um fornecimento estável, especialmente em granjas, incubatórios e frigoríficos, onde qualquer instabilidade pode afetar processos críticos de biossegurança.
Em 2026, essa relação ganha ainda mais relevância. A consolidação do mercado livre de energia, os avanços em armazenamento e a digitalização da matriz elétrica reforçam a integração entre infraestrutura energética e atividade no campo. Para cadeias intensivas, como avicultura e suinocultura, a estabilidade no fornecimento tornou-se determinante para a biossegurança.
Sistemas de ventilação, aquecimento, exaustão e refrigeração operam de forma contínua para garantir conforto térmico e padrões sanitários rigorosos. Protocolos automatizados de desinfecção, como nebulização, sanitização de ambientes e túneis de desinfecção, também dependem de energia estável. Falhas interrompem a climatização e comprometem processos de higienização, elevando o risco sanitário e impactando produtividade e bem-estar animal.
“A biossegurança depende de protocolos e infraestrutura confiável. Sistemas de monitoramento em tempo real permitem identificar oscilações precocemente, acionar alertas automáticos e agir preventivamente. Uma falha detectada a tempo pode evitar perdas significativas em um lote”, afirma Vinicius Dias, CEO do Grupo Setta.
Interrupções recorrentes também reduzem a vida útil de equipamentos sensíveis, elevando custos de manutenção e gerando paradas não programadas. Assim que o maquinário de exaustão ou aquecimento falha, a temperatura em ambientes confinados foge do controle, provocando estresse térmico imediato, queda no ganho de peso e aumento da mortalidade. Em frigoríficos, essas interrupções comprometem a cadeia do frio, pilar da segurança alimentar e das exportações brasileiras.
A modernização da infraestrutura elétrica envolve sistemas de proteção contra surtos, nobreaks dimensionados e monitoramento contínuo da qualidade da energia. O acompanhamento permanente permite antecipar falhas, registrar históricos para manutenção preventiva e reduzir vulnerabilidades operacionais.
Em um setor que opera com margens pressionadas e padrões sanitários cada vez mais exigentes, a confiabilidade do fornecimento passa a integrar a estratégia produtiva.
“A estabilidade elétrica é essencial. Em cadeias que operam 24 horas com padrões sanitários rigorosos, modernizar e monitorar sistemas em tempo real passou a ser condição básica para proteger a saúde animal, a segurança alimentar e a competitividade do agronegócio brasileiro”, completa Dias.

