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Por que preservar a Amazônia não é apenas uma pauta ambiental; é prioridade econômica global

Especialista defende novas formas de medir o valor da floresta e mostra como tecnologia, rastreabilidade e renda podem transformar conservação em estratégia econômica

A discussão sobre a preservação do bioma ganha uma dimensão que vai além da agenda ambiental: a econômica. Em um cenário de mudanças climáticas e crescente demanda global por ingredientes naturais, a floresta passou a ocupar também uma posição estratégica na economia mundial.

Para Felipe Franzina, CEO da Amazonia Bio Group, empresa que nasceu para conectar produtores amazônicos à indústria global de ingredientes funcionais, o próximo passo é fazer com que esse valor seja reconhecido por métricas econômicas e transformado em modelos de negócio capazes de gerar renda sem depender da conversão da floresta.
 

A dimensão econômica desse ativo ainda é pouco capturada pelos indicadores tradicionais. Segundo artigo do Banco Mundial publicado em julho de 2023, a Amazônia em pé representa mais de US$ 317 bilhões anuais em valor associado a serviços ecossistêmicos, considerando fatores como regulação climática, biodiversidade e ciclo hídrico. Para Franzina, a questão central não é apenas preservar esses serviços, mas criar mecanismos para que a economia reconheça e remunere o valor gerado pela floresta.

“O maior desafio é mudar a métrica. Durante muito tempo, o valor econômico da Amazônia foi associado principalmente ao que poderia ser retirado da floresta. Hoje, precisamos olhar para o que ela é capaz de gerar enquanto permanece em pé. Quando biodiversidade, água, clima e ingredientes naturais passam a ser considerados ativos econômicos, a conservação deixa de ser apenas uma obrigação ambiental e passa a fazer parte da estratégia de desenvolvimento”, complementa o empreendedor.

Essa mudança de lógica também passa pela capacidade de transformar recursos da biodiversidade em produtos de maior valor agregado. Um dos principais gargalos da cadeia amazônica é justamente a distância entre a produção na floresta e a indústria. Sem infraestrutura de processamento, uma parcela relevante dos frutos nativos se perde antes de chegar ao mercado, reduzindo a renda gerada pela própria biodiversidade.
 

É nesse ponto que a tecnologia passa a ter papel central. Processos como a liofilização permitem retirar a água dos frutos em baixa temperatura e ampliar sua vida útil, preservando propriedades nutricionais e bioativas. O resultado é a transformação de matérias-primas altamente perecíveis em ingredientes padronizados, rastreáveis e adequados às exigências de indústrias de alimentos, cosméticos e bem-estar em mercados internacionais.

“A bioeconomia não pode ser tratada como uma atividade artesanal ou de baixo valor agregado. Quando colocamos tecnologia, ciência e gestão industrial dentro da cadeia, conseguimos transformar um fruto que poderia se perder na floresta em um ingrediente com especificação técnica para mercados globais. Isso agrega valor e cria uma equação econômica capaz de competir com modelos tradicionais de uso da terra”, explica Franzina.
 

Para o especialista, essa mudança também depende da capacidade de transformar impacto em indicadores e indicadores em valor econômico. O desafio, segundo ele, é fazer com que a conservação seja compreendida pela mesma lógica de gestão utilizada em outros setores da economia: com métricas, produtividade, risco e escala.
 

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